27/05/2026
Coisas que aboli da minha vida antes que virassem lágrimas de sangue
WordPress, Adobe e Meta. Três ferramentas que cortei da minha vida antes que o custo de mantê-las virasse prejuízo de verdade. Um desabafo sobre saber a hora de sair.
Tem uma categoria de ferramenta que não te machuca de uma vez. Ela sangra devagar. Você perde uma tarde aqui, um fim de semana ali, um cliente irritado acolá, e quando soma o ano inteiro percebe que carregou um peso que nunca precisou carregar.
Fui abolindo essas coisas da minha vida uma a uma. Sempre antes que virassem lágrimas de sangue. Aqui estão as três maiores.
1. WordPress (faz mais de uma década)
Esse é o campeão. Não conheço um único projeto em WordPress que não tenha quebrado em algum momento: vírus, problema de hospedagem, update de plugin que conflita, update de core que derruba o site. Sempre tem alguma coisa.
E o pior não era o problema em si, era o custo de tempo pra corrigir. Toda semana uma chamada de “o site saiu do ar”, “apareceu um aviso estranho”, “o formulário parou”. Tempo que eu não cobrava, estresse que eu não escolhia.
Hoje trabalho com sites estáticos e JAMstack. Quebra muito menos, aliás se for quebrar é no build não vai pro ar, e se for pro ar dura 10 anos sem sustos, custa quase nada pra hospedar e quando algo dá errado o erro está no meu código, não em três camadas de plugin de terceiros.
2. Adobe (faz mais de sete anos)
A Adobe foi saindo aos poucos. Primeiro me incomodaram as interfaces inconsistentes entre os programas: cada um com sua lógica, seus atalhos, sem consistência. Depois veio a patifaria das web fonts, o tipo de amarração que te prende sem você perceber.
E os trocentos serviços rodando escondido na máquina, consumindo recurso, que continuavam lá mesmo depois de “remover” o programa. Depois a porcaria do Creative Cloud que deixava a máquina se arrastando.
Migrei pro Figma e pro ecossistema que escolho usar hoje. Mais leve, mais coerente, tudo com versionamento, leve e perfeito.
3. Meta (faz algumas horas)
Essa é fresca. Tudo no *.facebook.com é bugado. Tem problema que é simplesmente impossível de corrigir, e dá a sensação de que o time deles só conserta bug criando bug novo no dia seguinte.
Mandei pro espaço: Ads, Facebook, Business, Threads. Tudo.
O ponto não é a ferramenta, é o custo escondido
Nenhuma dessas três é “ruim” no vácuo. WordPress roda metade da web, Adobe definiu indústrias inteiras, Meta tem alcance que ninguém mais tem. O problema é o custo que elas cobram de você sem aparecer na fatura: tempo, atenção, estresse, dependência.
A pergunta que eu faço hoje antes de adotar qualquer coisa é simples: quando isso quebrar (e vai quebrar), o conserto está nas minhas mãos ou nas de outra pessoa? Quanto da minha semana isso vai consumir nos próximos cinco anos?
Cortar cedo dói menos que cortar tarde. Toda ferramenta que eu abandonei, abandonei antes de ela virar uma crise. É por isso que nenhuma dessas saídas teve drama: foi decisão, não reação.
Me sinto mais leve. 🙃