27/08/2026

Reuni todos os logos que criei desde 2002 (e deu um baita trabalho)

Passei dias garimpando HDs antigos, e-mails e backups pra juntar num lugar só as marcas que desenhei em mais de 20 anos. Sobrou muita coisa pelo caminho, mas o que ficou representa negócios, pessoas e projetos reais.

Comecei a desenhar marca em 2002. De lá pra cá foram HDs que morreram, sete ou oito mudanças de computador, uma migração de PC pra Mac e de volta, e uma quantidade absurda de projeto que só existe num backup de e-mail antigo.

Essa semana resolvi juntar tudo num lugar só. Achei que seria uma tarde. Foram dias.

O resultado tá aqui: a página com todos os logos. São 86 marcas, cada uma clicável pra ver de perto.

Por que deu tanto trabalho

Design de marca é um trabalho que, ironicamente, não deixa rastro organizado. O logo vai pro cliente, entra no site dele, na fachada, no cartão, e some do seu radar. Você guarda o arquivo aberto em algum lugar, exporta um PNG pra mandar num e-mail, e três anos depois não lembra nem o nome da pasta.

Multiplica isso por vinte e poucos anos.

Garimpei em HD externo que precisou de adaptador pra ligar, em pasta de projeto arquivada, em anexo de e-mail de 2009, em PDF de apresentação que era a única sobrevivência de um trabalho cujo arquivo original se perdeu. Teve marca que eu tive que redesenhar do zero, porque o único registro era um JPG de 400 pixels. Ainda bem que tem o Vectorize do Figma =)

O trabalho chato mesmo foi a padronização. Cada arquivo tava num formato, numa proporção, num fundo diferente. Pra grid funcionar, todas precisavam sair no mesmo enquadramento.

O que não está lá

Aqui vale a honestidade, porque a lista não é completa e eu não tenho como fingir que é.

Esqueci de alguns. Tenho certeza. Vão aparecer na minha cabeça daqui a dois meses, no meio de outra coisa, e eu vou lembrar de um cliente de 2007 que ficou de fora. Quando lembrar, adiciono.

Não coloquei os reprovados. E são muitos. Todo projeto de marca gera de três a dez direções, e só uma vira marca. As outras são boas, algumas melhores que a aprovada na minha opinião, mas não são marca de ninguém: são propostas. Uma marca só existe de verdade quando alguém a adota, coloca na fachada e passa a ser reconhecido por ela.

Não coloquei rascunho. Se eu fosse contar cada esboço, cada variação de peso tipográfico, cada teste de cor, a página teria alguns milhares de imagens e nenhuma utilidade.

O critério foi esse: entrou o que foi aprovado e foi usado. O que representou um negócio de verdade, uma pessoa de verdade, um projeto que existiu no mundo.

O que eu vi olhando tudo junto

Nunca tinha visto vinte e poucos anos de trabalho lado a lado. Três coisas me chamaram atenção.

A variedade de segmento é maior do que eu lembrava. Tem construtora, odontologia, advocacia, drogaria, casting, importadora, esporte, café, golfe, frigorífico, SaaS. Marca é um problema de tradução: entender o negócio e devolver aquilo em forma. O segmento muda o repertório, não o método.

Dá pra ver a época em cada uma. As de meados dos anos 2000 têm mais gradiente, mais volume, mais efeito. As recentes são mais planas, mais tipográficas. Não é que eu tenha ficado melhor ou pior: é que marca responde ao contexto em que ela vai viver. Em 2005 o logo ia pro papel timbrado e pro banner. Hoje ele precisa funcionar num favicon de 16 pixels e no avatar redondo do Instagram.

As que envelheceram melhor são as mais simples. Sem exceção. Toda vez que olhei uma marca antiga e pensei "essa ainda tá de pé", era uma de forma limpa e ideia clara. As que envelheceram mal são as que dependiam de um efeito da moda.

Vale dizer, porque a página pode dar a impressão errada: o que aparece ali é a ponta do iceberg.

Um projeto de marca é conceito, pesquisa de concorrência, definição de território, paleta, tipografia, regras de aplicação, versões para fundo claro e escuro, versão monocromática, tamanho mínimo, área de respiro. O símbolo é o que resume tudo isso numa imagem, mas ele sozinho não sustenta nada.

Se você quer ver como esse processo acontece na prática, do briefing até a versão final, escrevi o passo a passo de um projeto recente em como criei a marca da Selva.run. Lá dá pra ver os rascunhos que não viraram nada, que é justamente o que não está na página de logos.

Resumo

  • Reuni em /works/logos as 86 marcas que criei desde 2002
  • O garimpo levou semanas: HD antigo, e-mail de 2009, PDF que era o único registro
  • Faltam algumas, que vou adicionando conforme lembro
  • Não entrou proposta reprovada nem rascunho: só o que foi aprovado e usado
  • O que envelheceu melhor foi, sem exceção, o mais simples

Se você tá procurando alguém pra desenhar a marca do seu negócio, a página é o melhor jeito de ver se meu traço combina com o que você precisa. E se bater, me chama no WhatsApp.

#design #branding #logo

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